Nossa família passou pela pior dor: a dor de perder um filho, irmão e neto tão amado, tão querido. Junto com ele, foram-se nossa alegria, nossa esperança e até mesmo a nossa fé.
Tudo mudou em nossas vidas.
Nosso filho mais velho buscava uma forma de fazer com que a partida do irmão não fosse em vão. Queria que o nome do irmão marcasse o mundo para sempre.
Um dia, conversando com Karina Heitor, que era assistente social do Fórum, ele falou dessa ideia. Ela, então, deu uma sugestão: eternizar o nome do Leleco fazendo algo que ajudasse pessoas. Falou da necessidade de uma casa de passagem para receber crianças em situação de risco na região.
Ele gostou da ideia e a trouxe para nós. Imediatamente, abraçamos essa ideia. E foi assim que começou a troca da dor pelo amor.
Com a ajuda de Karina Heitor e do promotor da época, Dr. Edgar, montamos o Estatuto da Casa Leleco.
Em pouco mais de um mês, alugamos e montamos a casa, com a ajuda de amigos e da população. Conseguimos reunir igrejas, clubes de serviço, escolas; enfim, a população se mobilizou e nos abraçou.
Passamos por inúmeras dificuldades, mas a vontade de cuidar daquelas crianças, com histórias de vida que jamais imaginávamos que pudessem existir, era muito maior que as dificuldades enfrentadas. E sempre lembrando que tudo era em nome do nosso Leleco.
Víamos o amor das pessoas em ajudar a manter a casa. E a nossa dor se aliviava a cada criança que se abria para o nosso colo.